Módulo 6: Ascética e Mística 1 | Os cinco sinais de progresso

Concluímos neste módulo a indicação dos cinco sinais evidentes de progresso na vida interior segundo a direção espiritual do Revmo. Padre Faber, autor de uma das obras que nos servem de base nesta etapa de nossa formação, iniciada no volume anterior (reveja os primeiros dois sinais).


3. É sinal de progresso na vida espiritual ter em vista um objetivo bem determinado e claro, algo como esforçar-se para adquirir uma virtude, lutar com mais afinco para corrigir certo defeito ou uma prática de caridade.

Tudo isso é prova de diligência, e também indício do vigor da Graça divina atuando em nós. Se não atacarmos um ponto particular na linha do inimigo que peleja contra nós todos os dias e a cada novo instante, sem perder nenhuma oportunidade para nos atravancar o avanço, dificilmente será obtido êxito nessa batalha. Se atiramos a esmo, sem ter um alvo fixo em vista, só resultará barulho e fumaça. Não é provável progredir se caminharmos sem rota, sem um fim claramente escolhido e sem empregar os devidos esforços e a estratégia necessária para alcançá-lo, depois de o ter conscienciosamente escolhido.


4. É sinal de progresso que o fiel tenha na alma a firme convicção de que Deus quer e espera dele algo em particular.

Podemos estar, certas vezes, cientes de que o Espírito Santo nos está atraindo para uma direção determinada, em preferência de alguma outra; de que Ele deseja a remoção de certo defeito ou quer que nos encarreguemos a alguma obra em especial. Cientes de que é imperativo em eliminar em nossas vidas algum defeito específico que impede o nosso progresso. Certos autores espirituais chamam a isso “atração”: para alguns de nós, será uma atração persistente, que dura por toda a vida. Para outros, muda constantemente. Para outros é tão sutil que só a percebem de vez em quando; para outros, enfim, parece não haver chamado especial algum. Quando essa atração se alia a um conhecimento próprio ativo e a uma constante vigilância na oração interior, isto é um grande dom de Deus. pelas imensas facilidades que tal posição proporciona para levar a alma à perfeição; assemelha-se quase a uma revelação especial.
Sentir, pois, com sóbria reverência, essa atração do Espírito Santo, é sinal de progresso. Todavia convém lembrar que ninguém deve se inquietar pela ausência de tal sentimento, que não é nem universal e nem indispensável.


5. Certo desejo geral e crescente de adiantamento na perfeição interior é também sinal de progresso espiritual, e isso em conjunto com a consciência da importância de se visar claramente um determinado objetivo.

Geralmente, não procuramos o bastante por esse desejo da perfeição. Não devemos nos deter nele, exagerando a sua importância, nem nos contentar unicamente com ele. Só nos é dado para que possamos prosseguir com maior desenvoltura.

Quando, porém, consideramos o quanto ainda se apegam ao mundo até os cristãos em sua maioria – mesmo os fiéis, os mais devotos e piedosos dentre nós –, e quão espantosa é a sua cegueira para com os reais interesses de Nosso Senhor para cada um, e ainda quão insensíveis estão às aspirações sobrenaturais, devemos entender que esse desejo por santidade vem de Deus, que é um grande dom e que muitas consequências sumamente benéficas, de ordem superior, estão contidas nele.
O desejo pelo progresso espiritual não frutifica onde há tibieza, isto é, frouxidão, debilidade ou falta de ânimo. Essa virtude exige um ardor, um entusiasmo que nunca esmorece. É preciso lutar por se manter sempre motivado a avançar na vida interior, eis aqui uma recomendação importante. Há muitos modos de se fazer isso; recomendaremos aqui dois que sempre foram indicados e valorizados pelos bons diretores:

a) Praticar a meditação sobre a finitude e a brevidade da vida neste mundo e a certeza da morte. Longe de servir para desanimar, a consciência bem presente dessa realidade inescapável nos mantém conscientes de que infinitamente mais importantes do que quaisquer bens que possamos adquirir para este mundo são os bens espirituais que levaremos conosco para a vida eterna.

b) Considerar sempre que as dificuldades que nos são impostas são dádivas de Deus para o nosso crescimento: tudo, desde as enfermidades, as dores, as decepções com nossos semelhantes, as frustrações da vida presente, as ingratidões que sofremos, as maledicências que sofremos dos que nos invejam… Tudo nos é dado como oportunidade para que possamos progredir. Os que souberem fazer dessas duras pedras material de construção, e ferramentas das setas que lhes foram atiradas, será capaz de utilizá-las, mais além, para construir sua própria ponte para uma eternidade feliz em Deus.

Embora possamos subir mais alto e de fato devamos avançar bem mais além desse mero desejo pelo progresso, ainda assim ele continua a ser uma condição indispensável para atingir o que agora está acima de nós mesmos e nos parece inalcançável. Quando atingirmos esse estágio definido e desejado, então, sim, novos objetivos surgirão. Mas cada etapa da jornada deve ser apreciada ao seu próprio tempo.

Não devemos, entretanto, ignorar os perigos inerentes ao processo de crescimento interior. Todo desejo sobrenatural recebido e não correspondido, na prática, deixa-nos em pior estado do que nos encontrou. Para ficarmos seguros, devemos agir sem demora, transformando o desejo em ato. Nossas armas e instrumentos de trabalho são sempre os mesmos: oração, penitência, ação zelosa, prática da caridade, prática da paciência, prática da humildade; nunca se deve querer avançar de forma tresloucada ou precipitadamente, ou sem rezar e sem tomar bom conselho.

Agora já temos, pois, os cinco sinais bastante prováveis de progresso espiritual indicados pelo Padre Faber, e nenhum destes sinais está tão acima da capacidade humana que se situe fora do alcance do mais fraco dentre nós. Não entenda o cristão, todavia, que a existência de algum ou de todos esses cinco sinais implique que tudo já esteja certo em nossa vida espiritual; os sinais apenas demonstram que estamos vivos, e que estamos nos adiantando no caminho da Graça. O que não é pouca coisa!

Possuir qualquer desses sinais é possuir algo de inefável, algo de mais precioso do que tudo que nos possa dar do seu melhor o mundo. Se temos um desses sinais, está bem, estamos caminhando na direção certa; se dois, melhor; se três, melhor ainda; se quatro, ótimo. Quem tiver todos os cinco, alegre-se e dê a Deus especiais graças, redobre dentro de si as energias e coloque em sua face um belo sorriso! Avante mar adentro, para águas mais profundas. Deus nos sustenta, e caminham conosco a Rainha do Céu e nossos irmãos da Igreja triunfante!


* * *


Ora, veja! Já caminhamos um pouco. Penetremos mais adiante no deserto da vida neste vale de lágrimas que é o mundo, e se não menos cansados, pelo menos um pouco mais animados. Nosso Senhor sabe bem como converter lágrimas em flores, para aqueles que o amam e o buscam de coração limpo.

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A BÍBLIA CONFIRMA A SANTA IGREJA

A BÍBLIA COMO “ÚNICA REGRA” É HERESIA:
 
“Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular.”
(2 Pedro 1,20)
 
“Escrevo (a Bíblia) para que saibas como comportar-te na Igreja, que é a Casa do Deus Vivo, a coluna e o fundamento da Verdade.”
(1Timóteo 3,15)
 
“…Vós examinais as Escrituras, julgando ter nelas a vida eterna. Pois são elas que testemunham de Mim, e vós não quereis vir a Mim, para terdes a vida.”
(João 5,39-40)
 

“Porque já é manifesto que vós (a Igreja) sois a Carta de Cristo, ministrada por nós (Apóstolos), e escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração (…); o qual nos fez também capazes de ser ministros de um Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.”
(2Cor 3,3.6)

A IGREJA SEMPRE OBSERVOU A TRADIÇÃO APOSTÓLICA
 

“Em Nome de nosso Senhor Jesus Cristo, apartai-vos de todo irmão que não anda segundo a Tradição que de nós recebeu.”
(2 Tessalonicenses 3,6)

“Então, irmãos, estai firmes e guardai a Tradição que vos foi ensinada, seja por palavra (Tradição), seja por epístola nossa (Bíblia). ”
(2 Tessalonicenses 2, 15)
 
JESUS CRISTO INSTITUIU O PAPADO
 

“Tu és Pedra, e sobre essa Pedra edifico a minha Igreja (…). E eu te darei as Chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra será desligado nos Céus.”
(Mateus 16, 18)

“(Pedro,) apascenta o meu rebanho.”
(João 21,15-17)

“Irmãos, sabeis que há muito tempo Deus me escolheu dentre vós (Apóstolos), para que da minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho.”
– S. Pedro Apóstolo, primeiro Papa da Igreja de Cristo (Atos dos Apóstolos 15, 7)
 
“Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, confirma os teus irmãos.”
– Jesus Cristo a S. Pedro (Lucas 22, 31-32)
 
A IGREJA SEMPRE VENEROU MARIA COMO MÃE DE DEUS
 

“Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe do Senhor? (Mãe do Senhor = Mãe de Deus, pois Jesus é Deus)”
O Espírito Santo pela boca de Isabel à Virgem Maria (Lucas 1,43)

“De hoje em diante, todas as gerações me proclamarão Bem-aventurada!”
– Santíssima Virgem Maria, Mãe de Nosso Senhor
(Lucas 1, 48)

NÃO HÁ VÁRIAS IGREJAS E SIM UMA SÓ
 

“Há um só Senhor, uma só Fé, um só Batismo”
(Efésios 4,5)

“Ainda que nós ou um anjo baixado do Céu vos anuncie um evangelho diferente do nosso (Apóstolos), que seja anátema.”
(Gálatas 1, 8)

NÃO HÁ SALVAÇÃO SEM A EUCARISTIA
 

“Em Verdade vos digo: se não comerdes da Carne e do Sangue do Filho do homem, não tereis a Vida em vós mesmos.”
(João 6, 56)

“Minha Carne é verdadeiramente comida, e o meu Sangue é verdadeiramente bebida.”
(João 6, 55)
 
“O Cálice que tomamos não é a Comunhão com o Sangue de Cristo? O Pão que partimos não é a Comunhão com o Corpo de Cristo?”
(1ª aos Coríntios 10, 16)
 
A IGREJA SEMPRE CREU NA INTECESSÃO DOS SANTOS, QUE ROGAM POR NÓS NO CÉU
 

“E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos, da mão do anjo, diante de Deus.”
(Apocalipse 8, 4)

“Aqui (no Céu) está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os Mandamentos de Deus e a Fé em Jesus.”
(Apocalipse 14, 12)
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