Encerramos a aula anterior demonstrando a autoridade do Papa como a rocha sobre a qual se fundamenta a Igreja no mundo, por meio da fundamentação bíblica. No último tópico, vimos como o Concílio de Jerusalém representou neste sentido a prova definitiva e incontestável: mostrando como o próprio Apóstolo Pedro confirmou esta verdade ao dizer, no meio de todos os Apóstolos e presbíteros da Igreja reunidos: “Irmãos, sabeis que há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho e cressem” (At 15,7). Assim ele põe um fim à longa discussão que ali se travava, e ninguém ousou se opor à sua decisão: as Escrituras testemunham como a Igreja (toda a assembleia reunida) calou-se para ouvi-lo, silenciosamente, e como todos obedeceram sem questionar (a passagem completa encontra-se em At 15, 1-12).
A controvérsia em questão estava em decidir se a circuncisão deveria ou não ser imposta aos pagãos convertidos. Pedro disse que não, e é por isso que até hoje os cristãos não circuncidam os seus recém-nascidos: Pedro aboliu a circuncisão judaica, com a autoridade que o próprio Cristo lhe deu.
O primeiro documento conhecido dado por um Papa é o de Clemente I, ainda do primeiro século. Trata-se de uma intervenção numa disputa em Corinto. Já no século II, Santo Inácio, e algum tempo depois Santo Ireneu, enfatizaram a posição única do Bispo de Roma.
O papado é uma das instituições mais antigas e duradouras do mundo e, sejamos católicos ou não, temos que reconhecer que teve uma participação proeminente na História da humanidade. De São Pedro até os nossos dias, foram mais de 260 Papas, numa sucessão apostólica direta. Muitos grandes generais, governantes e poderosos ditadores inimigos da Igreja lutaram contra ela, querendo o seu fim. Mas a Profecia do Senhor nunca deixou de se cumprir: o Inferno não prevalece contra a Igreja edificada por Ele.
Esta autoridade de Pedro, assim como a de todos os Apóstolos, era e continua sendo transmitida de um homem para outro, sendo eleitos os novos sucessores pelo Colegiado dos Apóstolos, através dos tempos. No caso de Pedro, as Chaves do Reino dos Céus, entregues diretamente por Jesus Cristo, vêm sendo transmitidas, nesses dois mil anos de história, através do Papado. Dizer que a autoridade de Pedro morreu com ele seria o mesmo que renegar a Promessa do Senhor Jesus: “Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. Eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mt 28,20) [1].
Se o Senhor prometeu que continuaria com a sua Igreja até o fim do mundo, também a autoridade que Ele concedeu à sua Igreja tem que permanecer, até o fim dos tempos. Esta é a Sã Doutrina católica. Esta é a Palavra de Deus contida nas Sagradas Escrituras. Esta é a Tradição Cristã, de dois mil anos de história. Quem pregar o contrário, seja anátema. Porque:
“…de fato, não existem ‘dois evangelhos’: existem apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós, e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas ainda que alguém, nós ou um anjo baixado do Céu, vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que seja anátema.”
(Gálatas 1, 6-8)
Graças a Deus.
[1] Neste ponto convém citar, de passagem, que, ainda que se confirmem as teses sedevacantistas ou sedeprivacionistas, isso não altera a verdade da continuidade perpétua da Sucessão Apostólica: representaria apenas um longo interregno, algo que poderia se tornar possível em tempos extraordinários como os tempos da grande apostasia.